Apontamentos sobre o livro do profeta Ezequiel

O livro de Ezequiel apresenta, em tonalidade maior, a fidelidade de Deus em cumprir o pacto da graça que Ele fez com o seu povo

Prof. Mário vem destacando a história de Ezequiel na EDB da Igreja Presbiteriana do Brasil [Foto: VINACC]

Dando sequência a um cuidadoso planejamento pedagógico que tem feito com que os seus estudos foquem em livros do Antigo e do Novo Testamento, de modo alternado, objetivando fazer com que, no final de um dado período, a igreja possa ter uma compreensão abrangente das Escrituras Sagradas em sua totalidade, a Escola Bíblica Dominical da Igreja Presbiteriana de Campina Grande estudará no primeiro trimestre do ano em curso, o livro do profeta Ezequiel, considerado um profeta maior, ao lado de Isaías, Jeremias e Daniel, nomenclatura essa vinculada não a sua superioridade em relação aos demais profetas classificados como menores, mas, sim, ao volume dos escritos que tais profetas produziram.

Ezequiel é também chamado de profeta exílico, dado que as suas profecias foram consignadas no contexto em que o povo de Deus, por causa dos seus pecados, notadamente o da idolatria, já estava sendo alvo do prometido, e cumprido, juízo divino, contra uma nação contumazmente rebelde e recorrentemente violadora dos mandamentos do Senhor.

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Por causa da sua linguagem ostensivamente simbólica e matizada pelas constantes visões vivenciadas pelo profeta, muitas vezes estranhas e verdadeiramente incomuns, o livro de Ezequiel não é de fácil interpretação, sendo a sua leitura e estudo, detido, um precioso desafio para todos nós. Desafio esse que, enfrentado com diligência e contando com a indispensável assistência do Santo Espírito de Deus, que inspirou o livro bem como as demais Escrituras Sagradas, haverá de ser sumamente proveitoso para todos nós que, em suas belas, poéticas e inspiradas páginas, certamente conheceremos mais e mais o majestoso Deus a quem servimos; teremos uma compreensão mais nítida acerca dos nossos pecados e da terrível propensão que temos para quebrar a lei de Deus; experimentaremos a superabundante, suficiente e salvadora graça do Deus que fez uma eterna aliança com o seu povo. Conheceremos, enfim, mais verticalmente, uma das mais gloriosas porções da Palavra de Deus, lamentavelmente, ainda pouco lida e estudada com a devida atenção.

Híbrido de literatura profética e apocalíptica, aquela que sempre surge em tempos de crises e grandes perseguições, nos quais Deus sempre triunfa e infunde viva esperança e consolação no coração dos seus servos sofredores, o livro do profeta Ezequiel é lindo, profundo, encantador, desafiador, confrontador, consolador, pleno de beleza teológica e verdade evangélica. Nele, podemos encontrar, com cristalina nitidez, as grandes, antigas e eternas doutrinas da graça, tais como: a radical depravação dos homens; a incondicional eleição de Deus; a graça irresistível; a expiação objetiva e a perseverança dos santos. Perseverança essa que somente se efetiva porque Deus, por amor do seu santo nome, uma das grandes ênfases do livro, persevera em nos amar; preservar; disciplinar; restaurar e sustentar no estado de graça do qual Ele mesmo é fonte insecável.

O livro de Ezequiel desvela-nos o agir soberano de Deus por meio da ação recorrente da sua normativa e verdadeira Palavra, à luz da qual aprendemos que “se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2.13). O livro de Ezequiel constitui-se num permanente convite e convocação de Deus ao arrependimento humano; arrependimento, que é a porta de entrada no reino de Deus, doutrina centralíssima do evangelho da graça de Deus.

No livro de Ezequiel, encontramos, comoventemente, a impressionante longanimidade divina, sempre pródiga em esperar, pacientemente, pelo arrependimento do pecador. O livro de Ezequiel também enfatiza a inevitabilidade do juízo divino contra o pecador e o seu pecado. Juízo esse que nunca é desarrazoado, antes é a justa retribuição que os nossos pecados merecem: o exílio de Israel que o diga.

O livro de Ezequiel nos apresenta, em tonalidade maior, a fidelidade de Deus em cumprir o pacto da graça que Ele fez com o seu povo, e do qual a Trindade participou, soberanamente, nos imemoriais e invisíveis bastidores da eternidade. O livro de Ezequiel enfatiza, abundantemente, a realidade da glória de Deus; a sua excelência e o modo reverente como devemos considerá-la. O livro de Ezequiel revela-nos a incondicional disposição que Deus tem em amar o povo a quem Ele escolheu desde a eternidade, e no qual Ele fixou os seus redentivos afetos.

O livro de Ezequiel faz severas advertências contra os falsos profetas; e, de igual maneira, contra aqueles que dão crédito aos arautos da mentira, realidade atualíssima em nossos dias. Ainda no tocante ao amor de Deus, vale a pena destacarmos, dentre outros, o capítulo dezesseis, no qual nos deparamos com um verdadeiro e santo idílio, com cenas de uma linda história de amor entre o Deus fiel e o seu povo, a sua noiva e esposa, sempre pendente para o cultivo da infidelidade.

Embora não citado no Novo Testamento nem uma única vez, é possível encontrarmos belos paralelos entre passagens do livro de Ezequiel e algumas porções neotestamentárias, a exemplo da comparação que é feita entre Israel e uma vinha; vinha que se torna inútil, não frutífera; e, por isso mesmo, passível de ser queimada.

No evangelho de João, capítulo quinze, Jesus Cristo, referindo-se aos seus discípulos, do presente e do futuro, faz afirmações similares. Quem está em Cristo deve frutificar, do contrário, corre o risco de ser queimado e jogado fora. Aqui, não é a perda da salvação que se está aventando, absolutamente, mas, sim, a ingente necessidade que todos temos, e que é um verdadeiro imperativo da graça, de nos examinarmos a nós mesmos, a fim de verificarmos se somos ou não de Jesus Cristo. O pressuposto básico é o seguinte: se estamos realmente radicados em Cristo Jesus, haveremos de frutificar. E tal frutificação se manifestará, fundamentalmente, no indesviável anelo de querermos obedecer a Deus e fazer-lhe a vontade, ainda que, frequentemente, desse ideal estejamos distantes, por causa do pecado residente em nós; e de nossa, muitas vezes, negligência em nos apropriarmos dos santificadores meios de graça que o Senhor coloca a nossa disposição.

Em seu livro, o profeta Ezequiel comunica-nos a sua mensagem, várias vezes, por meio de parábolas, assim como o fez o nosso bendito Salvador, durante o seu redentivo ministério.
Enfim, amados irmãos, ler o livro do profeta Ezequiel está se constituindo para mim num indescritível deleite espiritual. Formulo votos de que esta também seja a experiência de cada um dos que compõem o quadro docente e discente da nossa amada Escola Bíblica Dominical. Quedemo-nos, todos, aos pés do Supremo Professor: o Espírito Santo de Deus.

Deo Gloria Nunc Et Semper.

José Mário da Silva
Presbítero – Igreja Presbiteriana do Brasil/CG e um dos palestrantes da Consciência Cristã

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