“Aquelas bombas me levaram até Cristo”, testemunha sobrevivente da Guerra do Vietnã

"Menina de Napalm", conhecida por foto histórica da Guerra do Vietnã, conta sua história de conversão a Cristo

“Menina de Napalm”, conhecida por foto histórica da Guerra do Vietnã, conta sua história de conversão a Cristo

Talvez você já tenha visto essa foto: uma menina vietnamita de nove anos de idade, nua, chorando de medo e dor, em frente a uma explosão, diante de soldados sem expressão. Uma foto que fez o mundo engasgar.

“A imagem que definiu minha vida”, descreve Phan Thị Kim Phúc, hoje embaixadora da Boa Vontade da UNESCO. A foto foi vencedora do prêmio Pulitzer daquele ano e tornou-se um ícone dos horrores da guerra. “Eu não fui alvo [da bomba], é claro, eu apenas estava no lugar errado na hora errada”, conta a figura principal da imagem.

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A “Menina de Napalm” recebe até hoje tratamento contra as queimaduras que cobrem seus braços, costas e pescoço, 40 anos depois. Foi só em 2017, após uma cirurgia a laser, que ela pôde sentir o carinho dos netos.

“E ainda assim, olhando para as últimas cinco décadas, percebo que aquelas mesmas bombas que trouxeram tanto sofrimento também trouxeram uma grande cura. Essas bombas me levaram a Cristo”, afirma Kim Phúc.

Testemunho de Kim Phúc, sobrevivente da Guerra do Vietnã

Kim Phúc foi criada na religião Cao Dai, da qual seus avós eram líderes. Essa religião é universalista e reconhece todas as outras religiões como tendo “uma mesma origem divina, que é Deus, ou Alá, ou Tao, ou nada”. O grupo tem como mantra “você é deus, e deus é você”, e defende que a cada deus deve ser dada uma chance.

Saiba o que pensam diversos grupos religiosos na série “Religiões, Seitas e Heresias” do Blesss.

Durante anos, orei aos deuses de Cao Dai por cura e paz. Mas, como uma oração após a outra não foi respondida, ficou claro que ou eles não existiam ou não se importavam em dar uma mãozinha”, conta Kim Phúc. 

A embaixadora da Boa Vontade da UNESCO conta que, depois desas constatação, continuou a suportar as dores da guerra, o peso da raiva, amargura e ressentimento em relação àqueles que causaram seu sofrimento, além das consequências físicas que as explosões causaram em seu corpo: “Eu ansiava por um alívio que nunca viria. E apesar de todas as circunstâncias externas que ameaçavam acabar comigo – minha mente, corpo e alma – a dor mais angustiante que sofri naquela época da minha vida residia em meu coração”.

Primeiro contato com Jesus lendo o Novo Testamento

Seu primeiro contato com Jesus Cristo foi em 1982. Kim Phúc folheava livros de diversas religiões nas prateleiras da biblioteca central de Saigon. Reuniu uma pilha de livros sobre bahá’í, budismo, hinduísmo, islamismo e Cao Dai, além de uma cópia do Novo Testamento, o último que folheou. Uma hora depois de ler os Evangelhos, dois temas centrais ficaram claros em sua mente: 

“Primeiro, apesar de tudo o que eu havia aprendido no Cao Dai – que havia muitos deuses, muitos caminhos para a santidade, que o fardo do “sucesso” na religião estava sobre meus próprios ombros cansados ​​- Jesus se apresentava como o caminho, a verdade e a vida (João 14:6). Seu ministério inteiro, ao que parece, apontava para uma afirmação direta: “Eu sou o caminho para chegar a Deus; não há outro caminho além de mim”. Segundo, esse Jesus havia sofrido em defesa de suas afirmações. Ele havia sido ridicularizado, torturado e morto. Por que ele suportaria essas coisas, eu me perguntava, se ele não fosse, de fato, Deus?

Eu nunca tinha sido exposta a este lado de Jesus – o ferido, que tinha cicatrizes. Revirei essa nova informação em minha mente como uma joia na minha mão, saboreando a luz que fora lançada de todos os lados. Quanto mais eu lia, mais eu passava a acreditar que Ele realmente era quem dizia ser, que realmente havia feito o que disse que tinha feito, e que – o mais importante para mim – Ele realmente faria tudo o que prometera em sua Palavra. Talvez Ele pudesse me ajudar a entender minha dor e finalmente chegar a um acordo com minhas cicatrizes”.

Experiência de salvação na noite de Natal

A experiência de salvação de Kim Phúc se concretizou na noite de Natal de 1982, no culto especial de adoração de uma pequena igreja em Saigon. “Enquanto ouvia aquela mensagem, sabia que algo estava mudando dentro de mim. Quão desesperadamente eu precisava de paz. Quão pronta eu estava para amor e alegria. Eu tinha tanto ódio em meu coração, tanta amargura. Eu queria deixar toda minha dor. Eu queria perseguir a vida em vez de me apegar às fantasias da morte. Eu queria esse Jesus” – testemunha. “E lá, em uma pequena igreja no Vietnã, a poucos quilômetros da rua onde minha jornada havia começado em meio ao caos da guerra – na noite antes do mundo celebrar o nascimento do Messias -, convidei Jesus para o meu coração. Quando acordei naquela manhã de Natal, experimentei o tipo de cura que só pode vir de Deus. Eu estava finalmente em paz.”

Quase meio século se passou desde que me vi correndo – assustada, nua e com dor – por aquela estrada no Vietnã. Jamais esquecerei os horrores daquele dia – as bombas, o fogo, os gritos, o medo. Nem vou esquecer os anos de provação e tormento que se seguiram. Mas quando penso em quão longe cheguei – a liberdade e a paz que vem da fé em Jesus – percebo que não há nada maior ou mais poderoso do que o amor de nosso abençoado Salvador.”


Redação: Luciana

Com informações de Christianity Today

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