“Cristo, o Fim da Lei” (Parte 3), por Charles Spurgeon

Um sermão ministrado em 1876 por C. H. Spurgeon

A lei também mostra o resultado da travessura e do pecado. Olhe para o período do Antigo Testamento, regido pela lei, e veja como ele tinha a intenção de levar os homens a Cristo ao fazê-los ver sua condição impura e sua necessidade de uma limpeza que só Ele pode dar. Todo período de tempo no Antigo Testamento apontava para o Senhor Jesus Cristo! Se os homens foram separados por causa de doenças e impurezas, foi para que eles vissem como o pecado os separou de Deus e de Seu povo.

Assine o Blesss

E quando eles foram trazidos de volta e purificados, foi para que vissem como eles só podiam ser restaurados por Jesus Cristo, o Alto Sacerdote. Quando o pássaro foi morto para que o leproso pudesse ser limpo, a necessidade de purificação pelo sacrifício de uma vida foi estabelecida. Toda manhã e toda noite um cordeiro morria pela necessidade do perdão, para que Deus pudesse viver conosco. Nós às vezes temos sido acusados de falar muito sobre o sangue, mas ainda no Antigo Testamento, o sangue parecia ser tudo e não era somente falado, mas apresentado aos olhos.

O que o apóstolo nos fala em Hebreus? “Por isso, nem a primeira aliança foi sancionada sem sangue. Quando Moisés terminou de proclamar todos os mandamentos da Lei a todo o povo, levou sangue de novilhos e de bodes, e também água, lã vermelha e ramos de hissopo, e aspergiu o próprio livro e todo o povo, dizendo: Este é o sangue da aliança que Deus ordenou que vocês obedeçam. Da mesma forma, aspergiu com o sangue o tabernáculo e todos os utensílios das suas cerimônias. De fato, segundo a Lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e sem derramamento de sangue não há perdão”.

O sangue estava no véu e no altar, nas cortinas e no chão do tabernáculo! Ninguém poderia evitar vê-lo. Eu decido fazer com que meu ministério tenha o mesmo caráter e que seja aspergido mais e mais com o sangue da expiação. A abundância do sangue tinha a intenção de mostrar claramente como o pecado nos poluiu tanto a ponto de que, sem expiação, Deus não pode ser alcançado. Nós devemos ir pelo caminho do sacrifício ou não irmos. Nós somos tão inaceitáveis por nós mesmos, que a não ser que o Senhor nos veja com o sangue de Jesus sobre nós Ele nos colocará de fora.

A antiga lei, com seus emblemas e figuras, estabeleceram muitas verdades sobre o eu de cada homem e do Salvador vindouro, com a intenção de, por todas elas, pregar sobre Cristo. Se alguém não chegou a Ele por meio da lei, não entendeu a intenção e o desígnio da mesma. Moisés leva até Josué e a lei acaba em Cristo. A lei, da forma como foi planejada, teve a intenção de mostrar aos homens o total desamparo em que vivem. Ela mostra como é totalmente impossível para os homens chegarem sozinhos no padrão que devem seguir.

A santidade que a lei demanda nenhum homem consegue alcançar sozinho. “Mas não há limite para o teu mandamento”. Se um homem diz que consegue cumprir a lei, é porque ele não sabe o que a lei é. Se ele imagina que ele pode alguma vez subir para o céu pelos lados trêmulos do Sinai, certamente ele nunca viu a montanha de fogo. Manter a lei? Ah, meus irmãos, ao passo que estamos falando sobre isso, nós estamos quebrando a lei! Enquanto nós fingimos que podemos cumprir a palavra, nós estamos violando o espírito, pois o orgulho quebra a lei tanto quando a luxúria ou o assassinato.

“Quem pode extrair algo puro da impureza? Ninguém”. Não, alma, você não pode ajudar a si mesma nisso, pois apenas pela perfeição você pode viver pela lei, e já que a perfeição é impossível, você não pode achar ajuda por meio das obras. Na graça há esperança, mas não merecemos nada além da ira! A lei nos diz isso e o quanto antes entendamos, melhor, pois dessa forma, mais cedo nós iremos para Cristo.

A lei também nos mostra nossa grande necessidade – de nos purificar com a água e com o sangue. Mostra-nos nossa sujeira e isso, naturalmente, nos leva a sentir que nos precisamos ser lavados se queremos alcançar Deus. Então a lei nos leva a aceitar Cristo como a única pessoa que pode nos limpar e nos tornar aptos a atravessar o véu na presença do Alto Sacerdote. A lei é a faca do cirurgião a qual corta fora a carne orgulhosa para que assim a ferida possa curar. A lei, por si mesma, somente varre e sobe a poeira, mas o evangelho asperge água limpa sobre a poeira, assim como na câmara da alma.

A lei mata, e o Evangelho torna vivo! A lei nos desnuda e Jesus Cristo vem e veste nossas almas com beleza e glória. Todos os mandamentos e todos os tempos nos direciona a Cristo, se nós prestarmos atenção em suas verdadeiras intenções. Eles nos separam do nosso eu. Eles nos descem da base falsa de orgulho próprio e nos leva a conhecer que somente em Cristo nossa ajuda pode ser encontrada. Então, antes de tudo, Cristo é o fim da lei, pois Ele é o grande propósito dela.

 

Traduzido por Ana Louise

Disponível em: spurgeongems.org