O Evangelismo Pessoal: Revelando Cristo

Quando se trata de evangelismo, geralmente escutamos coisas como “Convide Jesus para entrar em seu coração” ou “Faça uma decisão por Cristo”. Mas condensar todo o processo de arrependimento e fé em uma frase curta – e geralmente antibíblica – como essas nos leva a enfatizar, no evangelismo, aquilo que não deveríamos. Ao invés disso, precisamos enfatizar os métodos e modelos bíblicos sobre o que significa pregar o Evangelho.

Para tanto, temos examinado a interação de Cristo com a mulher samaritana junto ao poço, estudando essa conversa como um modelo para empregarmos no evangelismo pessoal. Já vimos como o Senhor iniciou a conversa, identificou a necessidade espiritual da samaritana, ofereceu a misericórdia de Deus, confrontou o pecado daquela mulher, e a exortou a abandonar a falsa adoração. Hoje, veremos o maravilhoso desfecho daquela conversa, e como Cristo revelou a verdade sobre quem Ele é e o que Ele veio realizar.

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Acompanharemos o diálogo dos dois a partir de João 4:25, quando ela responde a exortação de Cristo sobre rejeitar a falsa adoração. “Eu sei, respondeu a mulher, que há de vir o Messias, chamado Cristo; quando ele vier, nos anunciará todas as coisas.”

Como falamos anteriormente, a religião samaritana era uma mistura do Pentateuco com rituais e ídolos pagãos, adotados durante o cativeiro assírio. Não fica exatamente claro em que aquela mulher acreditava antes de seu encontro com Cristo. O que se sabe é que ela se apegava a, pelo menos, algum tipo de teologia judaica sobre o Messias – possivelmente, baseada em Gênesis 3:15 ou Deuteronômio 18:15-18.

Indepentemente de qual dessas profecias ela estivesse falando, ela sabia alguma coisa sobre o Messias. Ela sabia que o Messias era o Ungido de Deus, que viria para encher a terra com justiça e verdade. Ela acabou de ouvir que precisava adorar a Deus em Espírito e em verdade (Jo 4:24). Em sua resposta, podemos ver a compreensão implícita de que ela não conheceria toda a verdade, até que esta fosse revelada com a chegada do Messias.

Isso faz da resposta de Cristo em João 4:26 algo glorioso. “Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo.” Não existe o “o” [entre “Eu” e “sou”] no texto original: o que existe é a afirmação EU SOU, em que Cristo emprega o nome de Deus a Si mesmo. O que Ele disse foi, essencialmente: Aquele que está falando contigo é o EU SOU. A samaritana perguntava a respeito da verdade, e Ele revelou que era, de fato, a Verdade encarnada.

Quando eles começaram a conversar, a mulher estava completamente desinteressada e ignorante em relação a quem Ele era e no que Ele tinha a dizer. Depois de alguns minutos, ela queria perdão por sua vida miserável, estava arrependida, e faminta pela verdade de Deus sobre a vida eterna.

Não sabemos o que mais foi dito entre Cristo e a mulher samaritana, mas podemos seguramente inferir que a conversa não terminou abruptamente aqui. E sabemos, como é dito mais adiante no evangelho de João, que o arrependimento dela era real e que ela foi convertida. Na verdade, João explica que a salvação dela foi a primeira dentre muitas conversões em sua comunidade.

“Muitos samaritanos daquela cidade creram nele, em virtude do testemunho da mulher, que anunciara: Ele me disse tudo quanto tenho feito. Vindo, pois, os samaritanos ter com Jesus, pediam-lhe que permanecesse com eles; e ficou ali dois dias. Muitos outros creram nele, por causa da sua palavra, e diziam à mulher: Já agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo.” (Jo 4:39-42)

A obra transformadora que vemos de forma vívida em João 4 só pode ser realizada por Deus. Como crentes, nosso trabalho é iniciar conversas evangelísticas, identificar as necessidades espirituais dos pecadores, oferecer a infinitamente rica misericórdia de Deus para suprir tais necessidades, confrontar o pecado deles, e exortá-los a rejeitar a sua falsa adoração e voltar-se para adorar verdadeiramente ao verdadeiro Deus. E não podemos fazer mais do que isso. Cabe ao Senhor Se revelar a eles – e penetrar a escuridão de seus corações e revelar Sua verdadeira natureza a eles. É uma obra divina que não podemos fabricar ou copiar. Na salvação, apenas Deus pode revelar a verdade transformadora sobre Seu Filho (Jo 1:15-26).

Obviamente, isso significa que muitos dos nossos encontros evangelísticos podem terminar sem uma conclusão clara. Como e quando o Senhor Se revela às pessoas está além de nosso controle e influência. Nossa tarefa é buscar oportunidades para proclamar a pessoa e a obra de Cristo às pessoas que encontramos, e aproveitar essas ocasiões ao máximo. Temos de confiar no Senhor para que Ele traga os frutos espirituais, como e quando Ele quiser.

Se olharmos na perspectiva dos resultados, isso pode parecer frustrante. Mas do ponto de vista eterno, é libertador. Nosso trabalho é semear a semente do Evangelho de maneira fiel. Deixamos a colheita espiritual por conta do Senhor.

 

Publicado originalmente no site Grace to You.

Tradução: Mariana Gouveia

Foto: willmoneymaker.com

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